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Eis a excelente resposta do teólogo, o Padre Martelet, na sua obra “O além reencontrado”.
“Mesmo que fosse Satanás o único preso do inferno, o que ressalta das palavras de Jesus e do ensinamento da Igreja é que existe um mal que não será forçosamente vencido, que a possibilidade de um verdadeiro “não” existe, reverso caricato do “fiat” célere dos santos, este milagre de um consentimento inesperado ao amor.
Se Deus é amor, quem pode garantir que o amor realmente oferto não pode tornar-se num amor livremente recusado ?
Nunca Deus deixará de amar.
Não há, não haverá nunca mal amados de Deus, mas poder-se-ia não amar Aquele por quem cada um é ainda amado.
O Amor de Deus é um amor salvador.
É e será sempre o Amor infinitamente doante, mesmo que o outro faça d’Ele o amor sempre renegado.
Se existe, pois, em Deus uma repercussão da existência do inferno, é uma repercussão de dor e não de ratificação, de sofrimento infinito e não de complacência.
Diante do inferno a nossa dor não é pois mais que um eco da Sua própria dor, o nosso escándalo não é mais que uma imagem longínqua da Sua.
O sentido dos textos do Novo Testamento sobre o inferno não é, seguramente : “Eis o que vos acontecerá” mas : “Eis o que, a nenhum preço vos deve acontecer ».
Cristo, que se opôs Ele próprio à morte e ao pecado para impedir para sempre este caminho, tudo fez para que se evite tal perda.
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