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Para dar trabalho aos seus paroquianos, o Abade Paul Buguet fez-se impressor, removedor de terra e pedras.
Para marcar o caminho que vai da terra ao céu fez-se missionário e construtor. As duas obras nascidas, uma de cariz social, outra de cariz místico, desenvolveram-se paralelamente.
Nascido em Bellavilliers (Orne) a 25 de Março de 1843, Paul Joseph Buguet faz a sua primeira comunhão em 1855 na Igreja de Nossa Senhora de Mortagne.
Faz os seus estudos no Colégio de Santo Elói e depois, a partir de 1862, no Seminário Maior de Sées.
Os estudos e a oração vão tornar-se os dois pólos de sua vida. A 26 de Maio de 1866 é ordenado sacerdote pelo Bispo de Sées e nomeado de imediato Vigário de Ste-Honorine-la-Chardonne (1866-1872) antes de ser nomeado Pároco de Saires-la-Verrerie (1872-1878).
Homem de acção, funda um patronato para jovens, manda construir um novo pesbitério e conduz os habitantes à Eucaristia…
Aos 35 anos, o P. Paul Buguet é nomeado para La Chapelle-Montligeon, pequena aldeola ao pé da floresta de Réno-Valdieu, no flanco duma colina.
A Igreja da aldeia é muito miserável ; as casas cinzentas não davam muito o aspecto de riqueza.
A população, composta por alguns agricultores e comerciantes, mas sobretudo por lenhadores, carpinteiros e tamanqueiros, é de 770 habitantes : perdeu 300 almas em meio século. Muitos partem em demanda de trabalho na cidade.
Sempre muito activo, ele restaura a paróquia, depois o lavadouro, manda construir um depósito de água na praça para abastecer a vila de água potável, projecta criar uma linha de carros eléctricos…
Todavia, dos anos antes da sua chegada a La Chapelle-Montligeon, o P. Buguet fora profundamente ferido por três falecimentos na sua família.
Na noite do 1 de Novembro de 1876, o seu irmão Augusto fora esmagado pela queda de um sino da Igreja de Nossa Senhora de Mortagne. « E a sua alma ? » grita então o jovem abade.
Este acidente trágico é seguido da morte das suas duas sobrinhas de 12 e 16 anos.
Uma consequência a tirar do que acabo de meditar, é a necessidade de sufragar as almas do Purgatório.
Tardei demais a realizar a Obra que tinha projectado. É necessario que eu trabalhe na libertação destas almas. » anota o Abade Buguet no seu diário alguns meses mais tarde. A ideia de criar uma obra para « a libertação das almas abandonadas do Purgatório » germina no seu espírito. Vai tornar-se realidade em La Chapelle-Montligeon .
Uma das preocupações que o assediam desde então é a de rezar, e fazer rezar, por todos os defuntos, sobretudo « aqueles por quem ninguem reza ».
Após várias tentativas, o Abade Buguet obtém em 1884 de Monsenhor Tregaro, Bispo de Sées, a aprovação dos estatutos da Associação para libertação das almas do Purgatório.
Ele torna-se agora, como ele próprio diz, « o caixeiro viajante das minhas almas do Purgatório », pedindo de paróquia em paróquia para construir a sua Obra.
Em 1887, lança-se noutra aventura :
Eu procurava conciliar este duplo objectivo de induzir a rezar pelas almas abandonadas e em troco, obter por elas o meio de fazer viver os operários.
Por isso decidiu criar uma tipografia a fim de publicar os boletins da Obra.
Começa numa pequena sala do presbitério com a ajuda dum tamanqueiro que se disponibiliza para imprimir.
Durante dois anos a tipografia funciona assim. Mas o número de boletins aumentando, manda construir barracos no pátio e compra velhas casas para alojar os operários e os intérpretes.
As encomendas chegam de todos os cantos da Europa e é preciso traduzí-los em inglês, alemão, ou flamengo…
Em 1894, a tipografia abandona os barracos e as velhas casas para se instalar em novas paredes : torna-se na « Sociedade Anónima dos Estabelecimentos de La Chapelle-Montligeon ».
Conta nesta época com 31 operários.
Em 1887, após a primeira peregrinação organizada para rezar pelas « santas almas », os peregrinos começam a afluir de toda a França e do estrangeiro. O renome de Nossa Senhora de Montligeon começa a difundir-se pelo mundo.
« Nós queremos levantar, em Montligeon, uma capela digna da nossa grande e bela Obra onde todos os dias se venham unir, para subir em conjunto a Deus, as intenções do universo », pode ler-se em Junho de 1890, no trigésimo Boletim da Obra.
Rapidamente, para corresponder ao desejo do P. Buguet, os donativos afluem de modo que a 22 de Setembro de 1894 é o primeiro golpe dos trabalhos. Paralelamente o Abade Buguet começa as suas grandes viagens, sempre como « missionário das minhas almas do Purgatório » : Roma (1893) onde é encorajado pelo Papa Leão XIII, Europa ocidental (1895), Estados Unidos, (1897) Alemanha e Europa Central (1898) Espanha (1899)…
A 4 de Junho de 1896, a primeira pedra da futura basílica de Nossa Senhora de Montligeon é benzida. Neste mesmo ano o Abade Paulo Buguet deixa o Presbitério e vem morar com os seus colaboradores numa grande construção no cimo da esplanada : a Casa dos Capelães. Em Maio de 1905, o coro e a nave principal são finalizados. A primeira missa tem lugar no primeiro dia de Junho de 1911, para a peregrinação anual.
Infelizmente, por causa da guerra, os trabalhos são interrompidos em 1916.
Nesse ano, o Padre Buguet festeja o seu jubileu sacerdotal. Dois anos mais tarde, enfraquecido, morre em Roma a 14 de Junho de 1918. O seu corpo, levado para Montligeon, repousa sob a Basílica.
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